Daniel Duarte - Ignavos

Onze mil anos antes de Christos vir à Terra, um embate celestial alterou definitivamente a história de Paradísia. Desejosos por revolução, os anjos do Céu tiveram a terça parte de seu contingente seduzida por Lúcifer. Tais celestiais foram combatidos, vencidos e, ao fim da guerra, condenados ao cárcere no Lago de Sangue e Fogo.

Os vencedores da guerra, no entanto, se ressentiam também de outros irmãos alados: aqueles que não tomaram partido no triste litígio, sendo estes então acusados do crime de omissão e inércia. Chamados de Ignavos, esses anjos foram lançados ao barro mundano, onde permaneceriam adormecidos até o dia do Juízo, quando finalmente seriam julgados pelo Criador. No entanto, assim como o Portador da Luz e seus seguidores sobreviventes, os ignavos não cumpririam sua pena integral e, milênios após o levante de Lucibel, despertariam em um mundo abalado por outra rebelião celeste.

Perdidos e confusos, os anjos indolentes contemplam um cenário caótico tomado por nuvens tenebrosas que ocupam o firmamento e ameaçam extinguir a vida terrena. Presos em seus avatares de carne, ignorando a sorte dos demais irmãos condenados e incertos quanto à chegada do derradeiro Juízo, alguns desses celestiais precisam, com urgência, se inteirar da nova realidade vigente, firmar alianças valiosas e fugir, a todo custo, do cataclismo global que assola o plano físico. Uma certeza, porém, é consenso a todos eles:

A inércia nunca mais será opção.